O uso do “QUE” e do “QUÊ”
Os monossílabos (palavras com uma única sílaba) tônicos (com som forte) terminados em “A”, “E” ou “O” são acentuados, como ocorre em “pá”, “fé” e “nó”. No plural, essas palavras também ganham acento: “pás”, “pés” e “nós”. “Que” nem sempre é acentuado porque nem sempre é tônico.
Na verdade, “que” quase sempre funciona como um monossílabo átono, e não tônico. Veja: “Ela me disse que foi ao supermercado”. Note que, ao ler a frase em voz alta, você pronunciará o “e” de forma fraca, dizendo “qui”. Nesses casos, “que” não é acentuado. Por ser átono – e portanto ter o som fraco –, acabamos pronunciando “qui”.
A situação muda na seguinte frase: “Você me pediu água para quê?”. Perceba que, ao lermos esse exemplo em voz alta pronunciaremos um “que” mais forte. O mesmo ocorre em “Ele tem um quê de louco”. Este “quê” é um monossílabo tônico, possui um som forte e por isso é acentuado. Neste caso, o acento é circunflexo e não agudo porque o som é fechado.
No fim da frase, a palavra “que” sempre se torna tônica e acaba recebendo acento, como em “Você quer comer o quê?”.
Já no exemplo “Ele tem um quê de louco” queremos dizer “Ele tem um ar de louco”. Nesse caso, o “que” é um substantivo e, por ser substantivo, também se torna tônico e se transforma em “quê”.
A conclusão prática de toda essa regra é que, se ao falar, você pronuncia “qui”, não acentue o “que” na frase. Caso você pronuncie a palavra “que”, acentue-o.


